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Webinar debate sistematização das cadeias de valor sustentáveis na Amazônia

No último dia 26, o Instituto Interelos e o Fundo JBS Pela Amazônia promoveram um evento ao vivo no YouTube para apresentar os resultados de um estudo intitulado “Cadeias de Valor Sustentáveis: Inclusão e Autonomia Comunitária no Açaí Amazônico”, elaborado por Eduardo Nicácio e Mariana Chaubet. O webinar teve como principal objetivo abordar a sistematização de cadeias produtivas sustentáveis na bioeconomia, enfatizando a valorização dos pequenos produtores e a preservação do ecossistema amazônico.

O estudo ilumina o processo de desenvolvimento de cadeias de valor sustentáveis, fundamentado na experiência com as cadeias extrativistas da região e uma ênfase notável nos princípios da cooperação e do protagonismo comunitário. Financiado pelo Fundo JBS Pela Amazônia, o material reúne as melhores práticas e lições aprendidas durante a implementação do Programa “Cadeias de Valor Sustentáveis”, implementado pelo Instituto Interelos na região da foz do Rio Amazonas. Ele se destaca como um guia valioso para o progresso sustentável, enfocando a responsabilidade socioambiental e a melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas.

O webinar foi conduzido por Andrea Azevedo, representante do Fundo JBS pela Amazônia, e contou com a participação de especialistas e representantes de organizações socioambientais. Entre os quais, Sandro Marques e Marcos Tadeu, do Instituto Interelos, os autores do estudo Eduardo Nicácio e Mariana Chaubet. Além disso, também se juntaram à discussão Adriana Barros, do Grupo de Trabalho de Bioeconomia da organização Uma Concertação pela Amazônia, Luis Fernando Iozi, do Instituto Terroá, e Amiraldo Picanço, da cooperativa Amazonbai.

Oportunidades e desafios da bioeconomia

A discussão abordou a relevância da bioeconomia, um campo de estudo que analisa a interação entre economia e meio ambiente, como uma proposta para abordar questões prementes, como a mudança climática, a preservação das florestas, os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) e a necessidade urgente de promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Como Adriana Barros enfatizou: 

“O conceito de bioeconomia tem ganhado uma grande evidência de oportunidades, tanto no Brasil quanto no exterior. Isso nos coloca de certa forma em um momento delicado, mas de grande visibilidade desse território para o mundo, o que abre um leque de oportunidades. Como o conceito é recente, ele nos coloca no papel de aprendizagem, porque tem muita coisa se formando, se consolidando nesse processo. Olhar a bioeconomia hoje é trazer uma consistência prática e concreta para que represente o território que ela atua e também trazer ganhos de escala, como desenvolvimento de programas de aceleração e capacitação.”

A especialista avançou nestes tópicos, destacando a abordagem integradora e a visão otimista que impulsionam o avanço da bioeconomia.

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Para Mariana Chaubet, coautora do estudo, “este projeto se iniciou com um protocolo comunitário em 2013 na região da Foz do Rio Amazonas, com as comunidades do Bailique, no Amapá, e acabou se tornando o programa ‘Cadeias Comunitárias Inclusivas no Amapá’, focado no desenvolvimento da cadeia produtiva do açaí, que culminou com o surgimento da cooperativa Amazonbai. O estudo foi financiado para sistematizar estes aprendizados com as comunidades, tendo o açaí como um estudo de caso, mas apontando para outras cadeias potenciais.”

Webinar “Cadeias de Valor Sustentáveis”

A sistematização das experiências no desenvolvimento de cadeias extrativistas, conforme documentado no estudo, foi enfatizada como uma ferramenta essencial para a construção de cadeias produtivas mais eficientes e para o fortalecimento das comunidades na gestão de seus territórios. O desafio proposto era transformar em palavras os insights sobre a construção de cadeias de valor de maneira mais ágil e econômica.

Eduardo Nicácio sublinhou a importância da harmonia entre seres humanos e natureza, e a necessidade de uma reflexão crítica sobre as ações no território do Beira Amazonas. Ele destacou que a sistematização não se limita a registrar o passado, mas se concentra no avanço social e ambiental, com um cuidado especial com as pessoas:

A sistematização surge para refletir criticamente sobre o que se está fazendo hoje e projetar o futuro, não apenas fazer um retrato do acontecido, mas traçar um rumo ao objetivo.

Eduardo Nicácio


O documento foi dividido em quatro seções que abrangem as etapas do processo de construção de uma cadeia de valor, fornecendo um guia passo a passo. As seções incluem: o estudo dos direitos humanos, os êxitos e desafios encontrados, os pontos de melhoria identificados, as metodologias aplicadas, o fortalecimento das práticas, a agroindústria e as lições aprendidas ao longo do percurso.

“Refletir criticamente sobre o que se está se fazendo é uma questão cara, nós conversamos com muitas pessoas para extrair a verdade delas para entender o que havia de valor para elas, a transformação social e a transformação ambiental,” completa Nicácio. 

De extrativistas à empreendedores sustentáveis da terra

O webinar também explorou a importância do protocolo comunitário como um documento genuinamente construído pelos membros das comunidades, contendo diretrizes específicas e procedimentos para orientar a gestão do território. Foi por meio deste protocolo que os residentes do Bailique identificaram o desejo de investir na cadeia produtiva do açaí, demonstrando a força da iniciativa local.

Amiraldo Picanço, presidente da cooperativa Amazonbai, lançou luz sobre o desafio de transformar extrativistas em produtores, proprietários e protagonistas, realçando a importância de agregar valor aos produtos e promover a participação de todos os elos da cadeia, bem como o acesso estruturado ao mercado.

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A educação emergiu como um tema central nas discussões, com Andrea Azevedo provocando uma reflexão sobre modelos educacionais eficazes na Amazônia, alinhados com os negócios sociais e a crescente necessidade de formação e capacitação. Já Luiz Fernando Iozi, do Instituto Terroá, ressaltou o papel essencial da educação na conexão com o território, no desenvolvimento da juventude e na criação de oportunidades e renda. Marcos Tadeu, por sua vez, destacou a urgência de atrair investimentos em inovação e pesquisa para alcançar a competitividade no mercado, consolidando a visão de um futuro mais próspero e sustentável para a região.

Após uma discussão que destacou os desafios e as oportunidades na promoção de cadeias de valor sustentáveis na Amazônia, torna-se inegável a urgência de agir em prol da preservação da floresta e do estímulo ao desenvolvimento econômico e social da região. O estudo “Cadeias de Valor Sustentáveis: Inclusão e Autonomia Comunitária no Açaí Amazônico”, disponível em nosso site, oferece insights preciosos para a sistematização replicável em outras cadeias e para a formulação de estratégias de negócios com um enfoque socioambiental. 

E para aqueles que desejam aprofundar-se nessa discussão e explorar mais a fundo as ideias e soluções apresentadas, o webinar completo está disponível no canal do Instituto Interelos no YouTube. Convidamos todos a se envolverem nesse diálogo crucial para o futuro da Amazônia e do planeta.

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