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InterElos inicia estudo da cadeia produtiva do Pescado na Região Amazônica em parceria com a ASPROC

O InterElos acaba de assinar o contrato da sua participação no Projeto Pesca Justa e Sustentável da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), contemplado pelo Fundo JBS pela Amazônia. O instituto fará um estudo da base produtiva e agregação de valor da cadeia do pescado, analisando principalmente a viabilidade da aquisição de uma embarcação para processamento de pescado certificado, a partir da sistematização do conhecimento socioeconômico e ambiental.​

Importante ressaltar que um dos grandes potenciais econômicos de desenvolvimento sustentável na Região Amazônica é justamente a cadeia produtiva do pescado. A Região do Médio Juruá, localizada no sudoeste Amazonense, é cortada pelo Rio Juruá, que nasce no Peru e deságua no Rio Solimões, em aproximadamente 3.000 quilômetros de curso, rendendo o título de rio mais sinuoso do mundo e uma das paisagens mais bonitas da região. Além de servir como hidrovia, parte de sua população ribeirinha sobrevive da atividade pesqueira. A ASPROC possui um arranjo comercial coletivo do pirarucu manejado que envolve 10 comunidades diferentes, a produção é levada para processamento em uma agroindústria terceirizada no município de Carauari. Com o apoio do Fundo JBS, a associação pretende adquirir uma embarcação certificada para fortalecimento da cadeia extrativista do pirarucu e outras espécies.

De maneira geral, o trabalho que o InterElos irá desenvolver visa otimizar a eficiência operacional da ASPROC para a promoção do manejo pesqueiro de base comunitária. Wagner D’Onofrio, consultor do instituto, trabalha há mais de 10 anos em projetos de socioeconomia e ressalta a importância da metodologia: “Temos um time multidisciplinar, entendemos de gestão, agroindústria, mercado, sistematização e modelagem. Então, observamos quais são as necessidades da comunidade e alocamos o nosso pessoal de forma simultânea.” Dessa forma, o estudo trabalhará em quatro frentes multidisciplinares, buscando soluções sistemáticas, socioeconômicas e ambientais:

1) Análise de mercado da cadeia do pescado;

2) Levantamento de dados da base produtiva comunitária da ASPROC;

3) Diagnóstico da viabilidade técnica, operacional e financeira de duas unidades de beneficiamento de pescado, em Carauari e de barco para a operação da ASPROC;

4) Apoio ao sistema de gestão da ASPROC.

Permeando essas quatro frentes, será desenvolvido também um trabalho focado em Direitos Humanos com abordagem transversal, aplicado por meio de três estratégias: prevenção, proteção e promoção. A análise do contexto social procura alcançar o desenvolvimento de estratégias específicas para efetivação dos Direitos Humanos em toda a cadeia do pescado. Eduardo Nicácio, consultor da InterElos e responsável pela frente de Direitos Humanos, ressalta: “Por ser uma região com histórico de precariedade e de inúmeros contextos de violação de direitos, esse estudo será também um instrumento de análise e intervenção, pois reconhecemos a urgência da proteção aos grupos sociais que se encontram em situação de vulnerabilidade. Não tem como ser inclusivo sem zelar pelos direitos humanos.”

A frente busca, desta maneira, prevenir violações, promovendo maior envolvimento da comunidade com o tema. “A perspectiva da educação dos direitos humanos é fundamental para o InterElos. Educar uma comunidade para se engajar nesta causa gera pessoas preparadas para o exercício da cidadania”, conta Eduardo, apontando que um dos diferenciais deste trabalho será o envolvimento de mulheres, jovens, idosos, comunidades tradicionais e pessoas com deficiência nas etapas de desenvolvimento da cadeia da pesca. Ao todo, serão beneficiadas 450 famílias de 55 comunidades.

Iniciativas desse porte são uma das soluções para a conservação da biodiversidade e desenvolvimento econômico da Região Amazônica, já que o fortalecimento das cadeias extrativistas podem reduzir o impacto ambiental, promover a melhoria da produção e, principalmente, fortalecer o bem estar das comunidades.

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