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Como extrair açaí sem destruir a Amazônia

Manejo de mínimo impacto mostra que é possível suprir demanda global sem prejudicar as florestas

A polpa dessa frutinha redonda e arroxeada que cresce nas palmeiras Euterpe oleracea, espécie nativa da região norte do Brasil, já era refeição diária das populações ribeirinhas locais antes de cair nas graças dos consumidores de São Paulo e do Rio de Janeiro. O consumo da polpa nessas regiões explodiu no final dos anos 90 e não demorou muito para que começasse a ser comercializada também nos Estados Unidos e em outros países. Para atender à alta demanda, cresceu tanto a exploração de açaizais nativos como a área plantada de açaís.

O fruto tem um enorme potencial de geração de renda para a população local, mas o aumento desordenado de seu plantio pode, a longo prazo, virar um tiro no pé (do produtor e do açaí) comprometendo o meio ambiente e a perspectiva de renda. Um estudo recente do biólogo paraense Madson Freitas, publicado na revista Biological Conservation, e tema de artigo no UOL, identificou diversos problemas ambientais ligados ao crescimento da produção e consumo. 

Existem, entretanto, alternativas: com a organização da cadeia produtiva e um sistema de manejo de mínimo impacto é possível aliar meio ambiente, preservação e renda. Um dos projetos em que o Instituto InterElos trabalha, junto com outros parceiros, é o fortalecimento institucional da Amazonbai, Cooperativa dos Produtores Agroextrativistas do Bailique e Beira Amazonas.

Nessa mesma semana em que o tema do impacto ambiental do açaí circulou pela imprensa, a Amazonbai renovou a certificação da Cadeia de Custódia do FSC® – Forest Stewardship Council® (FSC-C131371). Este selo significa que desde a colheita do fruto até o beneficiamento da polpa na agroindústria, os cooperados seguem diretrizes para o manejo florestal de mínimo impacto e estabelecem procedimentos de controle da produção que garantem a rastreabilidade do açaí da floresta até o consumidor final.

A Amazonbai é a primeira organização no Brasil a utilizar o procedimento FSC® de Serviços Ecossistêmicos para verificar seus impactos positivos na manutenção dos estoques de carbono e proteção à biodiversidade. Trata-se de uma garantia de um produto de ambiente natural que possui o ser humano como principal beneficiário ao mesmo tempo em que preserva os serviços providos pela floresta à sociedade. Na prática, os benefícios incluem a melhoria na gestão e documentação da organização, avanços em saúde e segurança no trabalho, aumento na transparência e diálogo com partes interessadas e afetadas pelo manejo.

Ainda nessa região, onde uma viagem de barco entre uma comunidade produtora e a capital, Macapá, pode durar até doze horas de barco, o Instituto InterElos trabalha numa dimensão adicional: a educação. Com o fortalecimento das escolas locais e o uso de uma pedagogia específica, é possível formar jovens com conhecimento técnico e capacidade de liderança, contribuindo para sua permanência no campo. Assim ficam em pé tanto a floresta, como as populações nativas, o futuro da região e o fornecimento em escala de uma iguaria brasileira para o mundo.

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